sábado, 30 de junho de 2012

BELEZAS SERGIPANAS

Mais uma vez as belezas do estado sergipano são destaques em matérias de circulação nacional. Na edição de hoje, 19.06, o encarte de turismo do Jornal O Estado de São Paulo, trouxe em sua publicação os principais roteiros turísticos de Sergipe, com destaque para o Cânion do Xingó e as cidades históricas sergipanas. Ao descrever Canindé de São Francisco, o jornal informou que a cidade é o portal de entrada do Complexo Turístico do Xingó, onde os adeptos do ecoturismo podem caminhar por trilhas percorridas por Lampião e seu bando e até conhecer pinturas rupestres de 9mil anos atrás. 'Uma das opções preferidas pelos turistas é o catamarã que sai do píer do restaurante Karranca's e no trajeto podem ser vistas várias ilhas e formações rochosas, como a Pedra do Gavião, o Morro do Macaco e a Pedra do Japonês', disse o jornalista Paulo Liebert. A matéria também lembrou que em Canindé vale apena conhecer o Museu de Arqueologia de Xingó (MAX), que reúne esqueletos humanos e pinturas rupestres, além de revelar diversos aspectos culturais de seus antigos habitantes. No museu encontra-se parte do material resgatado do Sítio Arqueológico do Justino, que foi alagado pela construção da barragem.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

PLÁGIO É CRIME

"Plagiar é usurpar, roubar a essencia criativa de uma obra. No plágio de uma obra, em alguns casos, os plagiadores, desde que não descobertos, terão o aproveitamento economico do crime".Texto de Paulo Roberto ulhoa, publicado em "A Gazeta" do Espírito Santo, em 09/05/2006. A propósito, em uma das barracas do arraiá do povo um vendedor de cordel apresenta e vende a história em quadrinhos "Lampião" na íntegra, totalmente xerocada e claro sem citar o autor, o alagoano Ruben Wanderlei Filho, nas barbas dos representantes da Secult, promotora do evento. Lamentável.

terça-feira, 26 de junho de 2012

José Eugenio, o decano.

O jornalismo de Sergipe tem em José Eugenio de Jeusus um verdadeiro arquivo vivo.Cognominado "a maior patente do esporte no rádio",Zéugenio, como é carinhosamente chamado por todos, completará em breve 94 anos, dedicando seu tempo com leituras, e escrevendo poemas que pretende publicar em breve. Até Julho de 2011, colaborava com o programa Paulo Lacerda na Jornal AM, sendo considerado à época o cronista esportivo mais idoso do Brasil. Constantemente recebe convites para palestras, realizando-as com o maior prazer. è fundador da ACDS e presidente de honra da ASI.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

BRASILEIRO É LOUCO POR FUTEBOL

Brasileiro é louco por futebol. A verdade estava ali, nua e crua à sua frente. Nua, a sua Rosa, com os olhos semicerrados e o cabelo espinhado em completo desalinho, oscilava freneticamente, possuída e tremula, daquela mesma forma que o fizera endoidecer anos atrás, e esquecer-se da sinuca e companheiros de boemia e samba nas noites de sexta feira. Faminta por sexo, a mulata sestrosa o praticava sem pudor e sem barreiras. Crua, e totalmente em riste, a ponta de lança de Meninão nela penetrava sem retranca, num frenesi tal, que a qualquer instante sairia fogo das virilhas dos dois. Gemiam, junto com a cama meio desmantelada, comprada ha dois dias atrás de um vascaíno raivoso, em cuja padaria Beto tomava café todos os dias, antes de pegar no batente. Engoliu em seco, com a língua colada no céu da boca. Marcara com o parceiro para irem juntos ao estádio, dia de decisão, Fla-Flu, jogo fácil, mão na taça e festa pronta na Toca do Urubu, com direito a torresmo e pinga da boa por conta da casa. Mas o dito cujo não deu as caras, deixando Beto a ver navios na entrada de um Maracanã superlotado em vermelho e preto. O vento gelado daquela noite trouxe-lhe sussurros de suspeitas, fazendo com que dessa meia volta e apressasse os passos na direção do morro, fugindo dos primeiros pingos que começavam a cair. O guarda chuva armado o impediu de vislumbrar a figura soturna de Zé Bodega, dono da vendinha na entrada do emaranhado de vielas, que levava ao topo da colina repleta de casebres de zinco e Madeirit. A porta, escancarada de repente, fez com que a fêmea fogosa cessasse a doida cavalgada, porém, aterrada e prevendo um final infeliz para aquela noite, entrou em estado de choque, continuando, agora estática e de olhos arregalados, em cima do franzino moleque, que desmaiado de tanto gozo, ficou preso entre as pernas poderosas que tanto apreciava. Na TV ligada no único cômodo do barraco, sua outra paixão, partia em contra ataque ferino, entrava em velocidade pelo meio, sem encontrar resistência no adversário. Sobre o tamborete improvisado de criado-mudo, a garrafa de Brahma pela metade assistia a tudo, refletindo a luz intermitente vinda do aparelho, dando ao cenário dramático, conferindo novos tons a cada momento, num misto de cores variadas e brilhantes. Beto sentiu um leve arrepio percorrer lhe o corpo inteiro e um cheiro doce de sangue, invadiu lhe as narinas misturando-se com o indefectível odor de cerveja misturado ao pó de arroz, que o negrinho ousado e tirado a bacana, usava para irritar os amigos nos dias de vitória tricolor. Só quando percebeu a rigidez e a frieza do corpanzil da amante foi que Meninão abriu os olhos e percebeu que o jogo estava perdido. Sentiu então o liquido viscoso e quente escorrendo-lhe por entre as bolas. Nem gritou quando o golpe certeiro de caco de vidro foi direto ao seu coração. Fogos e gritos e rajadas de fuzil invadiram a cabeça chata de Beto, enquanto milhares de mãos o aplaudiam e o canto coletivo ê ô ê ô Nego Beto é o terror vibrava pelo cubículo, trazendo-lhe alento e completa felicidade, acompanhado por bandeiras de todos os tamanhos, com sua imagem impressa em vários formatos. Todos queriam o seu abraço suado e o seu sorriso banguelo, e davam-lhe amigáveis tapinhas nas costas, uns colocavam em sua boca goles generosos de cachaça enquanto outros entravam e saiam da cena macabra, até que ficou sozinho. Nada mais importava naquele momento. Não havia dor, nem lágrimas, nem remorsos, nem lembranças boas ou más para guardar. Rosa sumira da sua frente, bem como o Meninão. Juntou garrafas num saco plástico e desceu a encosta sem olhar para traz. Na birosca, lá na entrada do morro, o samba já rolava, cavaco e pandeiro convidando para um novo trago, para um novo dia, e sua galera já o aguardavam com os gritos de é campeão ecoando pelos becos escuros. A camisa, mais vermelha do que preta, parecia nada dizer e nem foi notada pelos amigos.

GILBERTO GIL. AQUELE ABRAÇO.

Impossível esconder minha admiração pelo ás da MPB brasileira, Gilbero Gil. Esteve presente em todos os momentos importantes do cenário musical brasileiro. Sua atuação como Ministro da Cultura agradou aos gregos. Quanto aos troianos....... Troianos são troianos e fim de papo.Estive presente em très apresentações inésquecíveis do astro: noite fria do Encontro Cultural de Laranjeiras, Iate Clube de Aracajú e orla da praia de Atalaia no festival de verão.Palmas e loas para e setentão que ainda tem muito a oferecer à arte brasileira de cantar e compor como nimguém. FELIZ ANIVERSÁRIO

ARACAJU, CAMPINA GRANDE OU CARUARU ? ARACAJU, É CLARO

Aracaju, Campina Grande ou Caruaru? Aracaju, é claro. Quando se fala em grandiosas festas juninas no Brasil, de imediato vem à tona o nome de três cidades que se sobressaem sobre todas as outras: Aracaju, Campina Grande e Caruaru, as duas últimas com mais espaço na mídia nacional. Afinal, qual delas faz o melhor São João do Brasil? Como sergipano, puxo sem vacilar e com argumentos, a brasa para a minha sardinha, porém sem deixar de vislumbrar alguns aspectos que necessitam de uma melhor atenção por parte dos organizadores do forrócaju. Em minha opinião, a área do mercado é boa para a realização do evento por está localizada no centro histórico da cidade, o que facilita em termos de locomoção. Todavia, acho que a estrutura poderia ser melhor trabalhada, aumentando o espaço útil para acomodação dos forrozeiros, evitando superlotação e tumultos. O piso também poderia ser melhorado, criando-se uma superfície uniforme, o que traria mais bem estar para os transeuntes. Uma padronização dos bares e barracas criaria um efeito estético bem melhor que o atual. Já estive em Campina Grande em duas oportunidades, e não há muitas diferenças com relação à Aracaju. Vejo o nosso povo mais empolgado e eles mais organizados em alguns detalhes. Lá, a formatação do espaço, com a criação de "ilhas de forró" é um ponto positivo, pois traz a descentralização de brincantes, contribuindo para a maior contratação de artistas locais para participarem da festança. Poderia ser usado aqui. A marinete do forró é exemplo da cópia que deu certo. O forró na orla de Atalaia, sem dúvida alguma, é uma grande sacada e o diferencial aracajuano. O espaço é gostoso e mais atraente que o do mercado. As barracas de artesanato e comidas típicas, a cidade cenográfica, junto com o espaço J. Inácio de arte e cultura dão um clima especial, e a existência de hotéis e restaurante à vontade, proporciona conforto e comodidade a todos. Ainda temos o barco do forró, que acredito ser único na região. Por tudo isso, somos merecedores do título de melhor São João do Brasil. Convido a todos para um debate saudável.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

CONHEÇA NOSSOS ARTISTAS : J. INÁCIO

J. Inácio, artista da alma sergipana Nem sempre a formalidade da crítica é capaz de revelar a arte e seus artistas, quando ... Nem sempre a formalidade da crítica é capaz de revelar a arte e seus artistas, quando eles fogem dos enquadramentos estéticos. J. Inácio, nascido José Inácio de Oliveira, que também se assinou Igo, teve escola e suas obras, embora pareçam anárquicas, são a mais próxima expressão da alma sergipana. Não apenas pelas cores, fortes e repetidas, pelos objetos, tanto os internos da casa, da cozinha, como os externos, bananeiras, jaqueiras, outras fruteiras, que se fundem nas paisagens típicas da terra sergipana. Vivendo muito, 96 anos, J. Inácio teve tempo de mesclar a sua arte, mas preferiu afirmar-se na repetição, deixando para os críticos o problema teórico da interpretação, como ele próprio prometeu, certa feita, ao falar de si mesmo. É certo que seu filho Caã herdou formas e cores, ainda que mantenha-se tímido, sem querer trafegar na esteira do modelo do pai. Outros seguidores, por onde andam com suas telas? J. Inácio não precisou da morte para ser “santificado” entre os sergipanos. Sua vida errante, desapregada dos cânones tradicionais, não justifica, apenas, as três viagens que fez, a pé, do Rio de Janeiro, nem mesmo a convivência turbulenta com seu irmão santo, Padre Pedro. Sem casa, sem rumo diário para o exercício da sobrevivência, simplesmente tocou o cotidiano, sem requerer fortunas, ou mesmo soldos ou salários que pagassem suas magras contas. Vendeu quadros geniais como quem vende bananas, sem qualquer preocupação em diferenciar uma coisa da outra. Não raro foi tido como doido, eufemismo popular de patologias diversas de loucura, mas a tudo resistiu, com uma ponta de ironia, marcante em seu passeio de quase um século pelo mundo. Não há, ainda, um inventário da obra inaciana. Nem da quantidade, tarefa desafiante, nem da qualidade, que vai exigir análise crítica. Há, contudo, alguma coisa escrita em torno da figura do artista, com reprodução de sua arte. TEXTO DE AUTORIA DE LUIZ ANTONIO BARRETO

quinta-feira, 14 de junho de 2012

AMOROSA, ARTISTA SERGIPANA

Conheço Amorosa desde os tempos do Tropeiro. Magrela da gota prá cantar bem,cara e voz de sertaneja sofrendo influencia direta de Elba Ramalho. Depois achou seu caminho. Intérprete perfeita para as músicas de Ismar Barreto. Coco da Capsulana faz sucesso em qualquer lugar do mundo. Dias desses encontrei-a num consultório odontológico, toda chique e com um sotaque muito diferente para quem nasceu em Itabaiana-SE. Carioca misturada com não sei o quê. Uma pena. Mas não deixei de ser seu fã.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

13 de Junho dia de Santo Antonio

Hoje as ruas do centenário Bairro Santo Antonio estarão enfeitadas de bandeirolas coloridas e as fogueiras alumiaram a noite,que ainda na se enamorou do frio do inverno. Centenas de pessoas subiram à colina para acompanharem a missa campal que alí se celebra anumciando o fim da tradicional trezena dedicada ao santo casamenteiro, e de lá sairam em procissão pelas ruas repletas de gente nas calçadas, que acompanham os canticos puxados pelo pároco e beatas.É uma bela festa, sem dúvida alguma uma das maiores de Aracaju.Glorioso Santo Antônio, rogai por nós. "Santo Antônio nasceu em Lisboa em data incerta, entre 1191 e 1195 (aceita-se oficialmente a data de 15 de agosto de 1195), filho de Martim de Bulhões e Maria Teresa Taveira Azevedo, numa casa próxima da Sé de Lisboa, às portas da cidade, no local, assim se pensa, onde posteriormente se ergueu a igreja sob sua invocação. Também a forma de seu nome de batismo é obscura, pode ter sido Fernando Martins ou Fernando de Bulhões.[4][2] Várias biografias escritas no século XV dizem que o pai era descendente do celebrado Godofredo de Bulhões, comandante da I Cruzada, e que a mãe descendia de Froila I, rei de Astúrias, mas embora fossem nobres e ricos, tal ascendência nunca pôde ser comprovada.[5] Fez os primeiros estudos na Igreja de Santa Maria Maior (hoje Sé de Lisboa), sob a direção dos cônegos da Ordem dos Regrantes de Santo Agostinho. Como era a prática da ordem, deve ter recebido instrução no currículo das artes liberais do trivium e do quadrivium, o que certamente plasmou seu caráter intelectual. Ingressando ainda um adolescente como noviço da mesma Ordem, no Mosteiro de São Vicente de Fora, iniciou os estudos para sua formação religiosa. A biblioteca de São Vicente de Fora era afamada pela sua rica coleção de manuscritos sobre as ciências naturais, em especial a medicina, o que pode explicar as constantes referências científicas em seus sermões". FONTE: WIKIPÉDIA

A CHEGANÇA DE ZÉ DO PÃO.

Chegança Dança que representa em sua evolução a luta dos cristãos pelo batismo dos Mouros. A apresentação sempre acontece na porta de igrejas, onde uma embarcação de madeira é montada para o desenvolvimento das jornadas. A predominância é do azul e do branco. O padre, o rei e os Mouros (personagens da Chegança), utilizam outras tonalidades. O pandeiro é o principal instrumento de acompanhamento, eles utilizam também apitos e espadas. Bastante teatral, a apresentação completa da Chegança demora, geralmente, 60 minutos. Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/sergipe/sergipe-5.php#ixzz1xg0D37rI Um dos grandes mestres da Chegança em Sergipe foi Zé do Pão, que morava na Rua Divina Pastora, onde hoje funciona a UNIT.Seu grupo apresentava-se sempre no fundo da Catedral Metropolitana durante o periodo natalino, atraindo o público com sua tradicionalidade e esmero nas vestimentas. Zé do Pão, um legítimo mestre da cultura popular. Deus o tenha na sua glória. Amém

CONHEÇA NOSSOS ARTISTAS: TONHO BAIXINHO

Tonho Baixinho é outro cara de fé, artista sergipano que junto com o finado Irmão marcaram época no cenário artistico de Sergipe. Merece todas as palmas e loas. É famosa a sua parceria com Gil, nos bons tempos da Atalaia Nova, fato reconhecido pelo mega star baiano em apresentação no Festival de Verão 2010, na Prais de Atalaia.

CONHEÇA NOSSOS ARTISTAS: CESINHA E SUA BONECA

ENTRE OS GRANDES ARTISTAS SERGIPANOS,DESTACO CESINHA E SUA BONECA GENOVEVA, QUE SEMPRE ACOMPANHA OS SHOWS DE SERGIVAL. ÚNICO EM SERGIPE NA ARTE DE BAILAR COM BONECAS DE PANO, EXTREMAMENTE CORDIAL E PRESTATIVO, É UMA DAS FIGURAS QUE VALE A PENA CONHECER. PRECISO DE MAIS INFORMAÇOES SOBRE O BRINCANTE PARA PUBLICAR NESTE BOLG.PEÇO A COLABORAÇÃO DE TODOS OS AMANTES DA CULTURA SERGIPANA. BREVEMENTE NESTE BLOG MOSTRAREMOS FOTO INÉDITA DE CESINHA DANÇANDO COM UMA BONECA DE CARNE E OSSO CHAMADA PALOMA.

O BRAVO SARGENTO ZACARIAS

Luiz Eduardo Costa 08/01/2012 14:07:31 O BRAVO SARGENTO ZACARIAS Silenciosamente, sem honras militares, com a presença da família, dos amigos e de um oficial do exército brasileiro foi sepultado em Aracaju um herói de guerra. Era Zacarias Isidoro Cardoso, o Sargento Zacarias. Os mais jovens nem sabem quem ele foi. Lamentavelmente, os jovens nem andam sabendo se um dia o Brasil foi à guerra, combateu distante, do outro lado do Atlântico, na Itália, entre as escarpas geladas dos Apeninos e as planuras do Vale do Pó. Continuamos assim mesmo, esquecidos da nossa História, descuidados com os nossos heróis. Talvez, por isso, andemos frequentemente carentes de autoestima. Somos agora a sexta potência econômica do mundo, mas parecemos acanhados, porque estamos longe, ainda, do grau de civilização alcançada por países do chamado primeiro mundo. Nos Estados Unidos, a grande potência ainda hegemônica, começa agora a corrida eleitoral pela presidência, e no páreo, os republicanos colocam pré-candidatos que fazem entre si uma competição obscurantista. Parecem uns trogloditas. Acreditam piamente que aos Estados Unidos Deus atribuiu a missão de policiar o mundo; negam evidências científicas, como a teoria da evolução, consideram ímpios os que não interpretam o criacionismo ao pé da letra, dando seis dias para que Deus construísse o mundo, descansasse no sétimo, (como se Deus fosse humanamente sujeito a fadigas) depois, colocasse Adão e Eva castamente no paraíso, para cederem diante das tentações da serpente que os fez comer a maçã. Em Paris, onde inventaram o réveillon, a passagem do ano foi marcada, como sempre, por muita violência. Na avenida dos Champ Elysées, fortemente policiada, não se impediu a ação dos punguistas, das gangs violentas. Não houve show pirotécnico, mas centenas de fogueiras foram acesas nos bairros da periferia. Eram automóveis incendiados. Aqui, fizemos o melhor réveillon do mundo, dois milhões de pessoas nas areias de Copacabana, e quase nenhuma violência. Mas eles são os civilizados. Nós somos tupiniquins. O que nos falta então? A resposta parece simples, e sem nenhuma contaminação desse enchimento de saco chamado autoajuda: precisamos, como povo, acreditar em nós mesmos. Para que essa crença se consolide, teremos, também, de nos conhecer melhor. A História de um povo é sempre um bom fio condutor para o futuro. Valorizando a autocrítica, afastando qualquer sentimento de superioridade, fortalecendo a solidariedade com o mundo, o autoconhecimento é parte indispensável de qualquer processo civilizatório. Morreu o Sargento Zacarias, herói sergipano, maruinense, detentor de medalhas de combate, uma delas, honraria única, jamais concedida. Relembremos o que ele fez, relembremos do seu tempo. Em agosto de 42, o mundo já estava há quase três anos mergulhado numa guerra que se estendia do norte gelado da Noruega, passando pelas estepes russas, chegando às areias dos desertos africanos, às ilhas do Pacífico e a todos os mares. O Brasil, onde uma elite fascista admirava Hitler e Mussolini, recebera um ultimato do presidente Roosevelt: bases para os americanos, ou seria ocupado o nordeste, posição estratégica para a invasão da África e domínio do Atlântico Sul. Getúlio foi hábil, obteve financiamentos, uma siderúrgica, Volta Redonda, armas, e cedeu. Os submarinos alemães e italianos espalhavam-se em matilhas pelo Atlântico. Naquele mês, cinco navios foram torpedeados e afundados entre o sul sergipano e o norte da Bahia. Centenas de cadáveres e alguns sobreviventes vieram dar às nossas praias, da Atalaia ao Saco. Aracaju era uma cidade com pouco mais de 50 mil habitantes, quase isolada do resto do país. Para chegar até a Atalaia era preciso vencer muitos obstáculos. Não havia estradas para as praias das Caueiras, do Abaís, do Saco. Havia apenas umas poucas dezenas de veículos. Contava Walter Baptista, piloto do Aeroclube de Aracaju, que comandou as operações aéreas de reconhecimento e resgate, que o pânico tomou conta da cidade, alarmada com a possibilidade de um desembarque ou um bombardeio alemão. Murillo Mellins, nosso memorialista maior, conta: Ele tinha 15 anos e participou das correrias e quebra-quebras em busca de alemães e italianos, e das suas propriedades. No grupo de meninos, havia um com 17 anos, era Zacarias. Ele não queria vingar-se dos gringos aqui, queria combatê-los na Europa. Foi uma luta para conseguir alistar-se no Exército, e só em 44 partiu para a Itália. Lá, antes do combate verdadeiro, houve outro, travado nos estados-maiores do 5º exército americano e da nossa Divisão de Infantaria. Era preciso convencer ao comando americano que a tropa da FEB estava apta para a luta, mesmo com equipamentos deficientes, os mal nutridos de um país para eles ainda selvagem, tinham condições para combater. O Brasil era o único país, além dos contendores europeus, asiáticos, dos Estados Unidos e das colônias anglo-francesas, que tinha tropas na Europa. Foi raça, superação e persistência, que tornaram confiáveis nossos soldados. Ousadias como as de um soldado Zacarias, mostraram aos gringos desconfiados, que os desacreditados brasileiros eram combatentes tão bons, em alguns casos, até melhores do que eles. Vamos contar nas nossas escolas a vida do Sargento Zacarias, mostrá-la no Museu da Gente Sergipana, dar o seu nome a uma grande avenida. Por que não aquela que o governo do estado constrói, ligando Socorro à rodovia BR-101? Ou aquela outra, em Aracaju, que a prefeitura está fazendo, o acesso à ponte sobre o rio Poxim. Enfim, uma AVENIDA SARGENTO ZACARIAS.

AS RAÍZES DO ILÊ AXÉ ALAKETU OYÁ BALÉ CABOCLO GONGOMBIRA

AS RAÍZES DO ILÊ AXÉ ALAKETU OYÁ BALÉ CABOCLO GONGOMBIRA TEXTO DO MUSEÓLOGO SERGIPANO CLAUDIO DE JESUS SANTOS, FORMADO NA UFS. O sangue e a Ancestralidade Não há como negar Não há como recuar Não há como recusar Nos eleva e identifica Severo D’Acelino. 2002 É pelo respeito e importância dada aos seus ancestrais que os povos africanos e afro-brasileiros cultuaram e cultuam seus Orixás, Voduns e Inquices mantendo forte suas tradições ao longo do tempo. É também dessa forma que o Ilê Asé Alaketu Oyá Balé Caboclo Gongombira considera de grande importância fazer um “exercício de memória” relembrando e buscando sempre as suas raízes. Fundado em 15 de janeiro de 1989, o Ilê Asé Alaketu Oyá Balé, encontra-se situado na zona sul de Aracaju, no Loteamento Marivam, Bairro Santa Maria, nº 210. O Terreiro que está sob os cuidados da Iyalorixá Maria Claudeildes Santos de Santana, filha de Oyá Balé tendo como urukó Megelecy, cultua seus Orixás e Voduns (1) nas nações de Ketu (2) e Jeje, cultuando também os caboclos e exus na nação Angola, preservando assim o patrimônio religioso e cultural dos seus antepassados. Dessa forma é preciso salientar que as suas raízes estão diretamente ligadas a uma das casas de Ketu mais tradicionais do Estado de Sergipe, o Abagsá Ogun Marinho, situado no Bairro Santos Dumont, Rua Jaime Paulo, nº97, também em Aracaju, pertencente a Iyalorixá octogenária Josefa Maria dos Santos, sua Mãe de Santo e consanguínea. Conhecida popularmente como Mãe Nair, a história da Iyalorixá Josefa Maria se entrelaça com a história de alguns nomes importantes que contribuíram para a formação da memória do candomblé sergipano. Filha de santo e neta sanguínea da Iyalorixá Elisa Martins dos Santos, conhecida como Eliza D’Ayará, Mãe Nair foi iniciada com o Orixá Ogum tendo como urukó (3) “Lua-Omim”. Já Elisa D’Ayrá, por sua vez, foi iniciada com o Orixá Xangô e de urukó Babá-Omim, fazendo parte da primeira geração de iniciados no “candomblé de feitorio” do Estado de Sergipe, na Nação de Ketu, introduzido pelo Babalorixá baiano Manuel do Amaral, conhecido popularmente como Manezinho Sandayó, nos anos de 1920. Entre os primeiros iniciados, segundo Mãe Nair (4), estavam Ercília Lima, a primeira raspada (5) em Sergipe, com o Orixá Oxum, Elisa Martins (sua avó) com Xangô, Odete com Odé, Carmelita com Xangô Aganjú, Otávio com Oxosse, José Adolfo com Iemanjá, Eleonora com Oxalá Talabi, Jorge Paim com Oxum, Kaciano com Obaluayê, Malaquias com Xangô, Washington e o Ogã (6) Bomfim com Oxalá. Foi seguindo os conhecimentos tradicionais ensinados por Manezinho Sandayó que a Iyalorixá Elisa D’Ayrá abriu o “Terreiro São Pedro”, situado no alto da Suissa Braba em Aracaju, e iniciou seus poucos filhos-de-santo, entre eles Nair de Ogun (sua neta), Carmelita de Obaluayê, Núbia da Oxum e Carminha da Oyá. Anos mais tarde Elisa D’Ayrá viajou para a Ilha da Conceição, em Niterói, Estado do Rio de Janeiro, região em que plantou seu Axé e após seu falecimento deixou sob os cuidados de Benício de Xangô e de Bebé sua esposa, o qual veio a ser fechado após o falecimento dos mesmos. Na atualidade, mesmo com o falecimento da Iyalorixá Elisa de D’Ayrá, o Orixá Xangô Babá-Omim permanece na família, ficando como “Deixa” (7) de Mãe Nair, sendo cultuado no Ilé Asé Oyá Balé Caboclo Gongombira, o qual mantém sua tradição. “Kawó-kabiyèsíle!” 3.PENSANDO NO UNIVERSO DO AXÉ: O MUSEU, O TERREIRO E A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO AFRO-BRASILEIRO Refletir sobre o patrimônio cultural afro-brasileiro no universo do axé, “força movimentadora da vida” (D’ACELINO, 2008) é uma tarefa instigante e ao mesmo tempo surpreendente quando correlacionamos dois, dos principais espaços, responsáveis pela sua preservação e valorização: o museu e o terreiro. Ao lançarmos o nosso olhar pelas lentes da cultura afro-brasileira poderíamos afirmar que além do Terreiro, o Museu também possui esse axé, que pode ser percebido quando enxergamos o museu como um fenômeno, o qual: “Pode existir em qualquer espaço, em qualquer tempo. Inexiste, portanto, uma forma ‘ideal’ de Museu, que possa ser utilizada em diferentes realidades: o Museu toma a forma possível em cada sociedade, sob a influência dos seus valores e representações” (SCHEINER, 2001, p.06). Fazendo uma correlação do museu com o terreiro, podemos dizer que é o axé grande responsável por dar “alma as coisas” e trazer para seus objetos o Ori, manifestando sua individualidade e identidade que caracteriza cada bem patrimonial. O museu também é o responsável pelo Okan, “órgão que centraliza o poder de vida e sede da inteligência, do pensamento e da ação” podendo este ser entendido como a memória. E para guardar o conjunto desse patrimônio, temos as Iyabás, dentre elas, Nanã, Iemanjá, Iansã e Oxum, as quis nos lembram as musas. Diante dessa breve relação simbólica entre o museu e universo cultural afro-brasileiro faz-se necessário ressaltar a importância do Ilê para a preservação e valorização dos bens culturais e patrimoniais produzidos pelos afro-descendentes no Brasil. Assim como o museu, os terreiros também selecionam, guardam e expõem “coisas” com a intenção de evocar lembranças e tencionar a reconstrução de uma determinada época, seja no culto aos seus ancestrais ou até mesmo nas relações hierárquicas que são estabelecidas entre seus membros, com a intenção de manter uma tradição. Dessa forma o terreiro se assemelha ao museu, construindo “teias de significados” (GERRETZ, 1978) através do seu patrimônio material e humano, presentes no seu dia-a-dia, num processo constante de construção e reafirmação de sua identidade. E, em se tratando do patrimônio humano, talvez, seja esse o grande diferencial entre ambos ao se trabalhar a sua preservação. Pois como destaca Bruno Brulon “Ao se tombar um terreiro de candomblé, o que se deseja preservar em primeiro lugar é a comunidade que nele vive, se transforma e se manifesta culturalmente pela religião” (2008, p.135), o que nem sempre acontece com os museus, uma vez que muitos sacralizam suas em vitrines, afastando-os de seus grupos produtores. Essa relevância poderá ser percebida também nos critérios que levamos em consideração ao pensar a musealização do Ilê Axé de Alaketu Oyá Balé Caboclo Gongombira, uma vez que a intenção se faz em justamente ressaltar a importância do Terreiro para a comunidade local em que está inserido, com a finalidade de criar mecanismos que tragam a interação, dos que transitam neste espaço, com o patrimônio que ali se encontra contribuindo para o processo de valorização da cultura afro-brasileira em Sergipe.

O CRISTO DE SÃO CRISTOVÃO

Da rodovia João Bebe água já é possível avistá-lo. Seus dois braços não estão completamente abertos, mas demonstram uma ternura de quem chama para um abraço. Esse é o Cristo Redentor de Sergipe, localizado no município histórico de São Cristóvão. Construído na pequena Colina de São Gonçalo, o monumento é mais antigo do que seu primo carioca. Segundo levantamentos do historiador Thiago Fragata¹, os trabalhos para a edificação do Cristo Carioca começaram no mesmo ano em que a estátua foi inaugurada em Sergipe, 1926. “Sergipe tem a primeira estátua de Cristo Redentor do Brasil, fato ignorado por muitos sergipanos. O dado foi evidenciado no levantamento empreendido pelos pesquisadores de Belas Artes de São Paulo, em 1984, que após identificar a existência de 1200 redentores brasileiros destacaram o exemplar sergipano como o mais antigo e original, pois ele diverge da matriz carioca”. Visual Apesar do local apresentar fortes sinais de abandono, a vista vale a pena. De lá é possível, além da estátua, apreciar uma bela paisagem panorâmica da cidade. Um olhar atento alcança as estruturas da Igreja Nossa Senhora das Vitórias; as paredes do Fórum Gilson Gois Soares e, do lado esquerdo, ainda é possível ver bem longe as águas do Rio Vaza-Barris que cortam o município. Um belo quadro para ser contemplado. Nas palavras de uma visitante e moradora de São Cirstóvão que, por motivos de timidez, quis permanecer anônima: “O local vale a pena pela vista e pela tranqüilidade, parece que aqui tem uma barreira e quando a gente vem nesse lugar todo o estresse fica para trás”. A estátua com braços semi abertos possui somando a sua base 16 metros de altura. Foi construída no Governo de Graccho Cardoso e reformada em 1972 no governo de Paulo Correia dos Santos. A cidade de São Cristóvão, localizada a 25 km de Aracaju, foi fundada em 1590 e é considerada a quarta cidade mais antiga do país. Foi a primeira capital do estado de Sergipe. ___fonte: www.overmundo.com.br

segunda-feira, 11 de junho de 2012

QUADRILHAS JUNINAS: TRADIÇÃO E MODERNIDADE.

Quadrilhas juninas: tradição e modernidade. Como todo bem sergipano, também participei de quadrilhas juninas, praxe em todas as escolas e bairros durante todo o mês de Junho, de onde brotaram amizades e amores verdadeiros, momentos inesquecíveis que permanecem acessos, tal qual fogueira, no inconsciente coletivo da nossa gente. O São João de Sergipe é grandioso e inigualável, simplesmente uma delícia, repleto das mais distintas e legítimas manifestações, produzidas e legitimadas pelo povo, que mesclam folguedos populares e gastronomia típicos, com pratos à base de milho, amendoim à moda da casa, desfile de carroças, quentão, espadas, busca-pés e forró pé de serra, o legítimo som da alma sertaneja, imortalizado por Luiz Gonzaga. É uma virose que contamina a todos, nos quatro cantos do estado, seja nas grandes cidades ou nos pequenos povoados. As quadrilhas juninas são a apoteose dessa festança, e sua origem se perde no tempo, sendo o casamento do matuto, o motivo para a realização do evento, carregado de símbolos do quotidiano do tabaréu da roça, representados nos brincantes travestidos de padre, delegado, fazendeiro, vaqueiro, cangaceiro, beatas, moçoilas pudicas e varões em busca de xodó. E foi assim durante muito tempo. Mas, como disse o poeta, o novo sempre vem, e ele chegou na forma de grupos organizados, ligados a associações, glamourizados, com vestimentas luxuosas, um belo espetáculo estético e artístico, que se adequou aos padrões televisivos de alta definição, onde a profusão de brilhos e cores é fundamental. É um desempenho digno de calorosos e merecidos aplausos, o reconhecimento público de verdadeiros artistas anônimos, personagens de uma primorosa ópera popular. Como ressalva, discordo veementemente da adoção de enredos para as quadrilhas, como vem sendo usado no concurso da TV Globo, imposição de um regulamento mais conveniente a escolas de samba. O universo cultural nordestino é amplo e ilimitado como bem sabemos. A obra de Gonzaga, Patativa do Assaré, Ariano Suassuna entre outros é referencia nesse assunto, portanto a inserção de “temas” é uma interferência desnecessária e injustificada. As manifestações culturais são seculares e possuidoras de um contexto característico e ímpar, presentes nos caboclinhos e lambe-sujos, taieiras, bois-bumbás, cheganças, reisados etc. O foco das quadrilhas juninas deveria ser sempre o casório do tabaréu e suas variações, uma convivência entre modernidade e tradição, imperando sempre o bom senso, a originalidade, e raízes preservadas. É assim que penso.

domingo, 10 de junho de 2012

POÇO REDONDO: TERRA DE CANGACEIROS

A história de Poço Redondo mudou totalmente na época do cangaço. Antes um lugar tranqüilo, transformou-se praticamente em um campo de batalha. A história conta que 34 filhos de Poço Redondo acompanharam o bando de Lampião e foi na gruta de Angico, que hoje pertence ao município, que em 1938 Lampião e Maria Bonita, junto com outros nove cangaceiros, foram mortos por uma volante alagoana. De acordo com Alcino Alves, dois acontecimentos do cangaço marcaram profundamente a vida dos habitantes de Poço Redondo. “Nenhum lugar, na vastidão dos campos sertanejos, viveu agonia tão grande e provações tão gigantescas como o pequenino núcleo das brenhas do Riacho Jacaré”. Por duas vezes, toda a população do povoado abandonou suas casas com medo da violência dos cangaceiros e da volante. Esses acontecimentos ficaram conhecidos como ‘As Carreiras’. “Aquela vidinha sem novidades e aborrecimentos tinha se acabado. Todas as desgraças e horrores começaram a aparecer, atingindo cruelmente as famílias e habitantes daquele abandonado pedaço de Sergipe”. O primeiro assassinato em Poço Redondo aconteceu em 1932. Santo da Mandassaia foi morto cruelmente por Corisco. A população não entendia por que tiraram a vida de um homem tão pacífico. Assustados, todos os moradores do povoado deixaram suas casas e foram morar em Curralinho, um povoado à beira do Rio São Francisco. Em Poço Redondo não ficou um só morador. Os militares decidiram que a povoação abandonada seria um ponto estratégico para o combate ao cangaço, porque de lá poderiam chegar com mais facilidade a pontos escondidos da região. Dez soldados, comandados pelo sargento Alfredo, se estabeleceram no local e, sabendo disso, a população que havia se mudado para Curralinho volta para suas casas. Apesar da presença dos militares, os moradores de Poço Redondo continuaram morrendo. Em 1937, revoltados porque os soldados mataram o cangaceiro Pau Ferro, os bandidos assassinam os soldados Tonho Vicente e Sisi. Segundo conta o livro de Alcino Alves, os cangaceiros mandaram um recado garantindo que iriam invadir a vila de Poço Redondo. “O pavor tomou conta de todos. A tropa que guarnece no lugarzinho se acovarda. Sem que ninguém esperasse, os militares que trabalhavam no povoado tinham que se apresentar imediatamente no quartel de Propriá. Apavorados pela falta de segurança, os moradores se reuniram e decidiram deixar novamente o povoado, voltando para Curralinho. Talvez um caso único na história do cangaço e na vida da gente sertaneja”. Em 1938 choveu muito na região. “Aquela vidinha às margens do Velho Chico estava por demais enfadonha e maçante. Eles precisavam plantar, porém as roças ficavam nos arredores de Poço Redondo. Alguns decidiram se arriscar. Em junho desse mesmo ano, perto do Curralinho, no riacho do Angico, o incrível Lampião caiu, vencido pelas balas da volante do tenente João Bezerra da Silva. O cangaço morreu. O povo sofrido e desterrado de Poço Redondo não tinha mais o que temer. As famílias podiam retornar e reconstruir o arruinado povoado que tanto amavam”. FONTE: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=606921

TOBIAS BARRETO, UM CONDOEIRO.

autor: Poeta Jorge Henrique-Nossa Senhora da Glória, SE No pó que habito não terei as rosas, As doces preces que os felizes têm; Pobres ervinhas brotarão viçosas, E o esquecimento brotará também". (Pressentimento, Tobias Barreto, 1868.) Tobias Barreto foi um poeta que não recebeu, necessariamente, o reconhecimento que merecia. Menosprezada pela crítica, sua obra poética não foi explorada o bastante, tampouco evidenciou-se sua qualidade estética. É necessário que se revele ao público esta boa produção, que se revejam posições críticas a seu respeito e que se faça justiça. Tobias Barreto de Menezes (07-06-1839/26-06-1889), mestiço, pobre, nasceu na vila de Campos, província de Sergipe, e faleceu em Recife, Pernambuco. Bacharel em direito pela Faculdade do Recife, foi jornalista, advogado e deputado provincial. Destacou-se no campo da filosofia por sua atuação polêmica contra o conformismo retórico. Questionou a concepção de física social do positivismo, relacionou o conceito de cultura à constituição de normas para a compreensão do social e do humano. Entendia a metafísica como teoria do conhecimento divergindo profundamente do positivismo. Admitia a liberdade humana como realidade não empírica. Defendeu o liberalismo na política, a emancipação feminina e a libertação dos escravos. Foi uma figura central na Escola do Recife, disseminando o pensamento filosófico alemão no Brasil que, naquela época, sofria forte influência da cultura francesa. Certamente, foi um importante pensador brasileiro no século XIX. Publicou Ensaios e estudos de filosofia e crítica (1875), Dias e Noites (1881), Estudos alemães (1883), Menores e Loucos (1884), Discursos (1887) e Questões vigentes de filosofia e direito (1888). O restante de sua obra, dispersa em jornais, foi reunida em três edições de Obras completas, em 1925, 1963 e 1989. Dias e Noites foi seu único livro de poesias e, pelo que sei, teve sete edições. O que observo nos estudos que se fizeram até o momento sobre sua obra é que boa parte dos críticos classificam-no como um grande pensador, filósofo e revolucionário das idéias, não como poeta. Realmente o foi, leve-se em conta que a maior parte de sua produção tenha tido cunho filosófico, conta-se apenas um único livro de poesias. Entretanto, ao contrário de outros autores de “livro único”, como o paraibano Augusto dos Anjos, que tiveram seu nome registrado na história literária brasileira, Tobias Barreto é sempre colocado num segundo plano. Sua obra, quando mencionada por alguns críticos ilustres, ocupa pouquíssimas linhas em que se delineiam comentários não muito amistosos. José Veríssimo (1) chega mesmo a afirmar que sua educação roceira e rudimentar fazia sobressair-lhe nos textos mais o aspecto rústico do que o letrado de sua personalidade, o que justificaria sua predileção pela vulgaridade, que não raro chegava ao chulismo da expressão. Afrânio Coutinho(2) afirma que sua produção lírica descai para o mau gosto e para a banalidade, que Dias e Noites (1881) nada vale e ninguém se lembraria de Tobias Barreto, não fossem as apologias de seu amigo Sílvio Romero. Sugerindo ainda que alguns de seus textos nada mais eram que plágio de poesias de Casimiro de Abreu. E ainda, além disso, quase sempre a crítica coteja sua produção com a do poeta baiano Castro Alves colocando-se em evidência esta em detrimento daquela. Não pretendo aqui, por puro bairrismo, supervalorizar a obra do sergipano encontrando-lhe forçosamente traços de genialidade turvados pelo visível preconceito a ele dirigido pela crítica. Tampouco colocá-lo nos píncaros da glória como fazem, o mais das vezes, com o seu contemporâneo baiano. Busco, sobretudo, uma reflexão equilibrada sobre o real valor literário que pode ser atribuído a vários poemas seus e, de certa forma, pretendo, mesmo que de maneira incipiente, dissipar a densa nuvem de segregação que se instaurou sobre sua obra poética, obscurecendo-lhe a importância no cenário literário brasileiro. Talvez o primeiro contato com a poética tobiática não pareça despertar no leitor a sensação de grandiosidade e altivez que se nota em alguns poemas de Castro Alves ou de Gonçalves Dias. Entretanto, “genialidade” não é algo que se possa requerer de nenhum artista, tampouco constância. Os grandes nomes de nossa Literatura não produziram somente obras-primas. Uma análise criteriosa (talvez tendenciosa) de qualquer grande obra quase sempre termina por encontrar-lhe o que se poderia chamar, levianamente, de falhas. Houve os que, pretensiosamente, encontraram-nas em Os Lusíadas! É mister, portanto, concordar-se que há nelas textos a que se possa atribuir valor literário e outros desprovidos deste. O que se percebe nitidamente em determinados críticos é uma predisposição gratuita a depreciar os poemas de Tobias Barreto e uma mesma predisposição a supervalorizar poemas outros de outros autores. O poema Ano Bom (3), por exemplo, é uma amostra de pobreza poética, ausência de lirismo e, talvez, chulismo de expressão. Parece não ter havido nenhuma outra preocupação formal, tão somente a de rimar o final dos versos. O poema está distribuído em doze estrofes de quatro versos à maneira das quadras populares, com rimas somente no 2º e 4º versos de cada estrofe, mantendo-se o 1º e 3º versos ímpares. Estranhamente ao que estava em voga na época (a preferência por versos livres e brancos), o texto é decassílabo. Em seus versos, repletos de um prosaísmo extremo, há quase ausência de conotação: Chega a viola, o único pecúlio De um dos muitos escravos da fazenda: Mas falta arame; manda-se um moleque Buscar depressa um carretel na venda. Volta o emissário; a coisa está completa; E o sertanejo afina o instrumento. (...) Além de sua linguagem, em alguns momento, beirar o mal-gosto: Nem sequer sabe dar uma embigada!... Salva-se no texto a temática que, segundo o título e a data de sua criação, sugere uma festa de Reveillon aristocrática (que pode ser percebida pela presença do piano – instrumento incomum nas camadas sociais mais modestas) cuja harmonia é interrompida pela presença inusitada de um sertanejo rudemente caracterizado que pede uma viola – instrumento representativo da camada popular – para demonstrar sua cultura. A oposição entre o aristocrático e o popular, que deixa transparecer o preconceito e a discriminação entre os dois extremos da sociedade, consiste numa abordagem mais equilibrada e reflexiva das questões sociais, sem apelos a idealizações, característica notória de uma poesia mais madura da fase condoreira do nosso Romantismo. O que não se pode, entretanto, é afirmar que as poesias de Tobias Barreto são chulas ou grosseiras tomando-se por parâmetro um único poema, ou alguns menos burilados. Castro Alves produziu também, se não grosserias, ao menos poesias sem poeticidade, prosaicas ou simplesmente descritivas e nem por isso rotulam-no de poeta medíocre. Tobias Barreto, a exemplo de qualquer outro poeta, produziu também seus textos medíocres, contudo, em sua antologia podemos destacar composições dignas de figurar em qualquer compêndio de Literatura Brasileira ao lado de outros grandes nomes. Veja-se, por exemplo, Eu Amo o Gênio (4). Um lirismo ímpar e envolvente é trabalhado em cinco quartetos decassílabos, também à maneira de quadras populares, com rimas apenas no 2º e 4º versos de cada estrofe, trazendo o 1º e 3º versos ímpares, traço marcante na produção do vate sergipano. A musicalidade presente no texto, que justifica o subtítulo Modinha deixa evidente não somente seu estro lírico, como também sua profunda habilidade em adequar os aspectos formais aos aspectos temáticos, utilizando estruturas funcionais, o que comprova seu domínio sobre as técnicas de produção do artefato poético. Não parece haver chulismo de expressão, tampouco mau gosto ou banalidade nos fragmentos que se seguem: (...) Há sempre um gozo no correr das lágrimas, Há sempre um riso no murchar da flor... Quando sublime de sofrer, um ‘alma Rompe dos prantos o sombrio véu. São glórias tuas, virginais desmaios, Quedas de rosas nos jardins do céu. Percebe-se, na elaboração do poema, a maestria com que trabalha as oposições luz/trevas, Deus/sofrimento. Refletindo sobre o efeito catártico deste, sobre o júbilo divino pela redenção das almas. Aqui ainda temos um Tobias menos céptico, menos contestador, contava apenas vinte anos. Mesmo assim, é notória sua habilidade e sua erudição. Procedimento reflexivo ausente, por exemplo, na produção do poeta Casimiro de Abreu quando aborda temas semelhantes, repleta de superficialismos, clichês e apelos sentimentais lúdicos desprovidos de uma abordagem mais profunda: Que pode haver maior do que o oceano, Ou que seja mais forte do que o vento?! – Minha mãe a sorrir olhou pr’os céus E respondeu: - “Um ser que nós não vemos “É maior do que o mar que nós tememos, “mais forte que o tufão! Meu filho, é – Deus!(5) Isto parece contrariar a sugestão de plágio, haja vista a erudição, a superioridade formal, o tom grandiloqüente e inquiridor e a lucidez do sergipano. Há em Tobias Barreto uma sensibilidade poética capaz de construções líricas que conseguem renovar a sensação do inusitado já adormecida em metáforas e temas gastos como é o caso de O Beija-flor (6), veja-se: E a fresca rosa orvalhada, que contrasta descorada do seu rosto a nívea tez, beijando as mãozinhas suas, parece que diz: nós duas!... e a brisa emenda: nós três!... Entretanto, talvez sua maior força resida em sua veia filosófica. Sua grande erudição permite-lhe abordar de forma estética notável temas viscerais da condição humana, a exemplo de Escravidão (7). O texto é composto de duas oitavas com esquema rímico fixo (ABBCDEEC) em redondilha maior, ou seja, há um retorno à estrutura medieval, característico do estilo Romântico. Sua temática, contudo, além de questionar a estrutura escravista do regime monárquico em vigência, opondo-lhe a República e a Abolição, procede a uma reflexão filosófica profunda acerca da Divindade dogmática como instituição mantenedora das desigualdades sociais, e conivente com a exploração do homem pelo homem: Se é Deus quem deixa o mundo Sob o peso que o oprime, Se ele consente esse crime, Que se chama escravidão, Para fazer homens livres, Para arrancá-los do abismo, Existe um patriotismo Maior que a religião. Encontramos um eu-lírico céptico e questionador de todos os dogmas religiosos que não se furta a apontar as falhas Divinas: (...) Nesta hora a mocidade Corrige o erro de Deus. Postura que se mostra muito mais eloqüente e incisiva em Ignorabimus (8) (convém transcrever o soneto completo): Quanta ilusão!... O céu mostra-se esquivo E surdo ao brado do universo inteiro... De dúvidas cruéis prisioneiro, Tomba por terra o pensamento altivo. Dizem que o Cristo, o filho do Deus vivo, A quem chamam também Deus verdadeiro, Veio o mundo remir do cativeiro, E eu vejo o mundo ainda tão cativo! Se os reis são sempre os reis, se o povo ignavo Não deixou de provar o duro freio Da tirania, e da miséria o travo, Se é sempre o mesmo engodo e falso enleio, Se o homem chora e continua escravo, De que foi que Jesus salvar-nos veio?... Encontramos sua forma mais sublime em O Gênio da Humanidade (9). Composição distribuída em sete estrofes de dez versos, com esquema rímico (ABABCCDEED), em redondilha maior. Mais uma vez consegue harmonizar os aspectos formais aos temáticos numa composição de grande densidade poética. Sua musicalidade acentuada se distribui num ritmo que, ao longo do poema, parece que se vai tornando mais intenso, assumindo na segunda metade uma conotação quase dramática que produz no leitor uma espécie de efeito catártico. O sergipano mergulha profundamente em movimentos reflexivos que demonstram sua erudição filtrada, é claro, por sua sensibilidade e sua habilidade artística que lhe permitem aproximar questões fundamentais para a humanidade à plasticidade estética da poesia: Sou eu quem assiste as lutas Que dentro d’alma se dão, Quem sonda todas as grutas Profundas do coração: Quis ver dos céus o segredo; Rebelde, sobre um rochedo Cravado, fui Prometeu; Tive sede do infinito, Gênio, feliz ou maldito, A humanidade sou eu. Não há, no entanto, uma unicidade de pensamento poético ao longo da obra, o que denota que não houve uma pretensão de fazer uma proposta poética definida. Daí encontrarmos posturas contraditórias em relação a determinados temas. Contudo, isso não lhe diminui o valor, apenas mostra que suas poesias foram compostas isoladamente e só depois coligidas para a publicação. No poema Pressentimento (10), por exemplo, não mais encontramos um sujeito lírico céptico, que afronta a Divindade exigindo-lhe, ao menos, resignação (11), mas alguém cansado, de quem a fé vai-se desvanecendo no decurso da jornada: Sofrendo, aos poucos minha fé se apaga Ao longo de quatro estrofes de oito versos, o sujeito lírico se deixa esvair em notas de pessimismo e lamentações, bem à moda dos poetas da segunda geração, na tentativa de evadir-se para a morte. Caracteriza sua existência como um martírio que o oprime e que se lhe opõe aos ideais: Meu Deus!... não mais este laurel de espinho, Não mais a dor, que o coração devasta; Minha alma é farta de martírios... basta! Tudo conspira para o meu tormento; Estranha nuvem denegriu-me a sorte, A exemplo do que diz Vicente de Carvalho: (A felicidade) Existe, sim: mas nós não a alcançamos/Porque está sempre apenas onde a pomos/ E nunca a pomos onde nós estamos.(12), o “eu”, atormentado pelas limitações que lhe são impostas pela existência, localiza sua realização num outro plano, que não seja a realidade que se lhe apresenta, e suplica a Deus que o deixe partir: Deixai esta ave procurar seu ninho. Entretanto, fica explícito no poema o sentimento da injustiça sofrida pelo “eu”. Ser de quem a vida privou da sorte, de quem foram usurpadas oportunidades ou possibilidades de realização. Note-se a oposição que é feita no 5º e 6º versos da primeira e da quarta estrofes: No meu sepulcro não terei as rosas, As doces preces que os felizes têm; No pó que habito não terei as rosas, As doces preces que os felizes têm; E numa espécie de refrão de vaticínio que é repetido ao final de cada estrofe: Pobres ervinhas brotarão viçosas, E o esquecimento brotará também. É como se o “eu” já vivesse esquecido em vida e o pressentisse em morte. É como se sempre fosse colocado em segundo plano, sempre preterido em detrimento de outrem. Contudo, vaticina: Pobres ervinhas brotarão viçosas, como quem diz: Minha semente foi lançada e, embora timidamente, germinará! Curva-se, contudo, diante de algo mais contundente: ...o esquecimento brotará também. Algo que, possivelmente, sufocará suas ervinhas. É, no mínimo, estranho que tais procedimentos poéticos tenham passado despercebidos aos olhos da crítica. Se sua popularidade não alcançou o nível nacional como a de seu contemporâneo baiano, talvez seja pelo fato de Castro Alves ter partido do Recife para o eixo Rio-São Paulo aos vinte e um anos de idade (em pleno auge de sua produção) com recomendações do ilustre José de Alencar. Enquanto Tobias Barreto permaneceu restrito ao cenário pernambucano. Se não se pode encontrar na obra poética do sergipano – como já foi dito – traços de genialidade, ao menos se deve reconhecer que seu estro poético não está aquém do dos poetas de sua época. Repito: genialidade não é algo que se possa exigir de artista algum. Se seu nome não é divulgado ou reconhecido como deveria e merecia, talvez pela hegemonia imposta por parâmetros sulistas em relação à produção cultural nacional e pela tendência, não sem pretensões, de se lhe depreciar a obra em favor das obras de autores outros. Urge, ao menos, que se reconheça sua importância no cenário literário nacional, se não como gênio, ao menos como o precursor do condoreirismo que fez de Castro o reconhecido gênio; como precursor de novas idéias mais realistas. Busque-se mostrar sua boa produção. Que seja apresentada ao público de nossos dias e que o veredicto popular se faça valer. Que se revejam posições críticas. Que se debrucem sobre seus textos novos críticos. Que se lhe faça justiça.

BACAMARTEIROS DE CARMÓPOLIS

Grupo folclórico a tradicional do município de Carmópolis, mais precisamente do povoado Rancho, que mais tarde deu origem ao município. O grupo chamado Batalhão de Bacamarteiros era composto por trabalhadores de canaviais que não tinham condições financeiras de comprar fogos de artifício. Além dos tiros, que chamam muita atenção durante todo o cortejo, também fez parte do ritual um repertório baseado no cancioneiro popular. O grupo dispara os tiros de bacarmartes ao som das rimas: “quero ver carvão queimar”, e “menina bonita, faceira, dengosa, quer ir mais eu ‘vamo’, quer ir mais eu ‘vamo’ embora”. A cantoria é acompanhada por instrumentos como o ganzá, pífano, cuíca, pandeiro e reco-reco. Os bacamarteitos têm como padroeiros do grupo São João e São Pedro. Participam da festa homens, mulheres e até crianças. Reforçando assim a tradição passada de pai para filho. A maior parte dos componentes é composta por moradores do povoado Aguada. A manutenção desta tradição é fundamental para a cultura de um povo, que precisa e deve valorizar as coisas da sua terra. Fonte: Cinform

CARNAVAL DO CARRO QUEBRADO

Corria o ano de 2005, quando cinco amigos – Emmanuel Dantas, Hugo Martins, José Marins Filho, Sérgio Pereira e Jackson Silva –, acostuma-dos a se reunir no Bar da Macaxeira, decidiram fundar a Confraria do Carro Quebrado. Para quem desconhece, Carro Quebrado é o antigo nome do bairro São José e na tentativa de promover ações culturais e sociais na comunidade, foi que o quinteto resolveu resgatar o Carnaval de Rua, embalado pelas marchinhas e muito frevo, que tanto alegrou as famílias da capital sergipana no passado. Mesmo sem muitos recursos, mas contando com o apoio da comunidade, a Confraria conseguiu realizar a primeira edição do Carnaval do Carro Quebrado em 2006. O radialista Emmanuel Dantas lembra que o orçamento da primeira festa foi pífio – cerca de R$ 6 mil – porém o suficiente para animar os foliões e conquistar a adesão de empresários e do poder público, que dois anos depois, já estavam apoiando a festa. A 7ª edição do Carnaval do Carro Quebrado, prévia da festa momesca na capital sergipana, aconteceu este ano, no mesmo local já denominado Largo do Carro Quebrado, prestigiando bandas sergipanas, que tocam somente frevo e marchinhas. Com o tema permanente “Carnaval Cultural do Carro Quebrado- Quem Conhece, Jamais Esquece!”, a sétima edição homenageou à única mulher que transitava livremente pela Confraria, a senhora Terezinha dos Anjos, mais conhecida como “Têca”, que foi alçada a Rainha do Carnaval do Carro Quebrado, ainda em vida. Após dois anos de sua morte, sua figura é lembrada através da boneca gigante “Têca”, confeccionada pelo artista plástico Belém. “A Têca era a pessoa que fazia o elo da comunidade com a Confraria. Ela eraresponsável pela arrecadação das doações da população interessada em fomentar o Carnaval do Carro Quebrado e sensibilizou os moradores a contribuir com a festa, principalmente, nas primeiras edições, quando não contávamos com tantos patrocinadores”, explica Érico Melo, atual presidente. Segundo o pernambucano José Marins Filho, presidente da Confraria do Carro Quebrado em 2006 e uma das testemunhas do nascimento do Galo da Madrugada, acredita que no futuro, o Carnaval do Carro Quebrado ganhe uma dimensão inimaginável. “Estamos trabalhando para isso, para que a nova geração abrace a causa e consiga, quando não estivermos mais à frente da Confraria, levar adiante esse sonho de resgate de uma tradição”.