segunda-feira, 9 de julho de 2012

CARANGUEJO: IDENTIDADE GASTRONOMICA.

Sergipanidade. Sempre que se aproxima nossa data magna, 8 de Julho, essa é a palavra da moda. Vamos falar então da nossa a identidade gastronômica?. Entendo como identidade aquilo que nos diferencia dos outros. Não é algo individual, mas sim coletivo, que está presente em nosso quotidiano de diversas formas. Feijoada, carne do sol e moquecas são encontradas em quase todo o nordeste, mudando-se um ou outro detalhe. São famosas as carnes do sol da Paraíba e as moquecas de mariscos alagoanas, e a feijoada cada um faz da sua forma, tendo a nossa algumas particularidades, que, todavia, não a eleva à categoria de unanimidade, reconhecida não só por nós, mas também por aqueles que nos visitam. Quando se fala em prato típico, ligado culturalmente a uma sociedade, sem dúvida alguma o nosso diferencial é o tradicional caranguejo, degustado religiosamente aos domingos, não só nas praias com também nas residências. Em nenhum lugar do Brasil a iguaria é consumida com tanto prazer e em quantidades astronômicas como em terras do cacique Serigy, tanto na tradicional forma, só cozido em agua e sal, como também em saborosas fritadas, pastéis e outros tantos petiscos. Na famosa passarela da praia de Atalaia o crustáceo é saboreado diariamente, e o toc-toc característico dos martelinhos em ação já faz parte do dia a dia do lugar.

AVANTE, SÃO CRISTOVÃO

No próximo mes de Outubro realiza-se mais um pleito eleitoral, e os moradores da cidade de São Cristovão teram a oportunidade de mostrarem sua indignação com todas as mazelas que infestaram seu quotidiano durante mais de uma década. É hora de rejeitar aqeles que nada fizeram, a não ser contribuir com sua subserviencia e incompetencia para o caos instalado.Eleger aqueles que se comprometam verdadeiramente com um melhor futuro para todos, construindo um cidade digna do seu passado glorioso . A cultura e o turismo, vocação natural do lugar,devem estar entre as prioridades dos novo prefeito e legisladores, cabendo ao cidadão, vigiar e punir, usando sua arma poderosa que é o voto.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O DECLÍNIO DA MÚSICA BAIANA

Sou de uma geração que cresceu admirando os ótimos sons oriundos da Bahia, desde Dorival Caymmi e sua turma, passando pelo indefectível João Gilberto, pai da bossa nova, Tom Zé irreverente, o inigualável e eterno quarteto fantástico, Gil Caetano Bethânia e Gal, estrelas como Morais Moreira e Armandinho comandando o carnaval, Baby Consuelo, sempre telúrica, A cor do som, Pepeu Gomes e tantos outros talentos reconhecidos nacional e internacionalmente. De repente, vem Luiz Caldas e sua revolução carregada de fricote, trazendo uma energia diferente, um ritmo novo claramente dançante, sem deixar de lado bons e criativos letras e arranjos, evocando o caliente Caribe, unindo-se ao afro reggae, lambada e samba de roda. Gritou-se pela liberdade de Mandela, exaltando-se a raiz africana com a com Banda Mel e Reflexus, e tudo isso resultou no que hoje chamamos de axé-music. Dessa safra, apenas o Chiclete com Banana, (que a meu ver perdeu qualidade com o passar do tempo, apelando para produção exclusivamente carnavalesca) e Margareth Meneses sobreviveram, acompanhados das novas musas, Daniella, Ivete e Claudia, que sabiamente não caíram na armadilha da vulgaridade. Ecléticas e bem orientadas, definiram muito bem que caminhos queriam seguir. A partir daí vem outra turma tecnicamente inferior, que levou uma outrora qualificada cena musical a um indiscutível declínio, explícito em grupelhos que se denominam "de pagode", com suas rimas fáceis, letras simplórias e muitas vezes obscenas, produções bem do agrado de uma parcela da população, e que se dissemina principalmente através de CDs piratas, encontrados em qualquer beira de esquina. Essa onda atingiu em cheio o estado de Sergipe, grande mercado de artistas baianos, inundando as FMs voltadas para um público definido, ocupando todos os espaços. Os “boys”, com seus automóveis portadores de potentes equipamentos de som, fizeram sua parte invadindo as ruas, fazendo-se necessário a intervenção judicial para acabar com o desrespeito ao sossego alheio. Certamente é legítimo o ditado que diz que gosto não se discute, o que nos leva a concluir que a radio segmentada parece ser o futuro que nos aguarda, com cada uma centrando-se em um tipo de música. Por enquanto, fico com a poesia do filósofo cearense Belchior, eternizada por Elis Regina: nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não.

sábado, 30 de junho de 2012

BELEZAS SERGIPANAS

Mais uma vez as belezas do estado sergipano são destaques em matérias de circulação nacional. Na edição de hoje, 19.06, o encarte de turismo do Jornal O Estado de São Paulo, trouxe em sua publicação os principais roteiros turísticos de Sergipe, com destaque para o Cânion do Xingó e as cidades históricas sergipanas. Ao descrever Canindé de São Francisco, o jornal informou que a cidade é o portal de entrada do Complexo Turístico do Xingó, onde os adeptos do ecoturismo podem caminhar por trilhas percorridas por Lampião e seu bando e até conhecer pinturas rupestres de 9mil anos atrás. 'Uma das opções preferidas pelos turistas é o catamarã que sai do píer do restaurante Karranca's e no trajeto podem ser vistas várias ilhas e formações rochosas, como a Pedra do Gavião, o Morro do Macaco e a Pedra do Japonês', disse o jornalista Paulo Liebert. A matéria também lembrou que em Canindé vale apena conhecer o Museu de Arqueologia de Xingó (MAX), que reúne esqueletos humanos e pinturas rupestres, além de revelar diversos aspectos culturais de seus antigos habitantes. No museu encontra-se parte do material resgatado do Sítio Arqueológico do Justino, que foi alagado pela construção da barragem.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

PLÁGIO É CRIME

"Plagiar é usurpar, roubar a essencia criativa de uma obra. No plágio de uma obra, em alguns casos, os plagiadores, desde que não descobertos, terão o aproveitamento economico do crime".Texto de Paulo Roberto ulhoa, publicado em "A Gazeta" do Espírito Santo, em 09/05/2006. A propósito, em uma das barracas do arraiá do povo um vendedor de cordel apresenta e vende a história em quadrinhos "Lampião" na íntegra, totalmente xerocada e claro sem citar o autor, o alagoano Ruben Wanderlei Filho, nas barbas dos representantes da Secult, promotora do evento. Lamentável.

terça-feira, 26 de junho de 2012

José Eugenio, o decano.

O jornalismo de Sergipe tem em José Eugenio de Jeusus um verdadeiro arquivo vivo.Cognominado "a maior patente do esporte no rádio",Zéugenio, como é carinhosamente chamado por todos, completará em breve 94 anos, dedicando seu tempo com leituras, e escrevendo poemas que pretende publicar em breve. Até Julho de 2011, colaborava com o programa Paulo Lacerda na Jornal AM, sendo considerado à época o cronista esportivo mais idoso do Brasil. Constantemente recebe convites para palestras, realizando-as com o maior prazer. è fundador da ACDS e presidente de honra da ASI.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

BRASILEIRO É LOUCO POR FUTEBOL

Brasileiro é louco por futebol. A verdade estava ali, nua e crua à sua frente. Nua, a sua Rosa, com os olhos semicerrados e o cabelo espinhado em completo desalinho, oscilava freneticamente, possuída e tremula, daquela mesma forma que o fizera endoidecer anos atrás, e esquecer-se da sinuca e companheiros de boemia e samba nas noites de sexta feira. Faminta por sexo, a mulata sestrosa o praticava sem pudor e sem barreiras. Crua, e totalmente em riste, a ponta de lança de Meninão nela penetrava sem retranca, num frenesi tal, que a qualquer instante sairia fogo das virilhas dos dois. Gemiam, junto com a cama meio desmantelada, comprada ha dois dias atrás de um vascaíno raivoso, em cuja padaria Beto tomava café todos os dias, antes de pegar no batente. Engoliu em seco, com a língua colada no céu da boca. Marcara com o parceiro para irem juntos ao estádio, dia de decisão, Fla-Flu, jogo fácil, mão na taça e festa pronta na Toca do Urubu, com direito a torresmo e pinga da boa por conta da casa. Mas o dito cujo não deu as caras, deixando Beto a ver navios na entrada de um Maracanã superlotado em vermelho e preto. O vento gelado daquela noite trouxe-lhe sussurros de suspeitas, fazendo com que dessa meia volta e apressasse os passos na direção do morro, fugindo dos primeiros pingos que começavam a cair. O guarda chuva armado o impediu de vislumbrar a figura soturna de Zé Bodega, dono da vendinha na entrada do emaranhado de vielas, que levava ao topo da colina repleta de casebres de zinco e Madeirit. A porta, escancarada de repente, fez com que a fêmea fogosa cessasse a doida cavalgada, porém, aterrada e prevendo um final infeliz para aquela noite, entrou em estado de choque, continuando, agora estática e de olhos arregalados, em cima do franzino moleque, que desmaiado de tanto gozo, ficou preso entre as pernas poderosas que tanto apreciava. Na TV ligada no único cômodo do barraco, sua outra paixão, partia em contra ataque ferino, entrava em velocidade pelo meio, sem encontrar resistência no adversário. Sobre o tamborete improvisado de criado-mudo, a garrafa de Brahma pela metade assistia a tudo, refletindo a luz intermitente vinda do aparelho, dando ao cenário dramático, conferindo novos tons a cada momento, num misto de cores variadas e brilhantes. Beto sentiu um leve arrepio percorrer lhe o corpo inteiro e um cheiro doce de sangue, invadiu lhe as narinas misturando-se com o indefectível odor de cerveja misturado ao pó de arroz, que o negrinho ousado e tirado a bacana, usava para irritar os amigos nos dias de vitória tricolor. Só quando percebeu a rigidez e a frieza do corpanzil da amante foi que Meninão abriu os olhos e percebeu que o jogo estava perdido. Sentiu então o liquido viscoso e quente escorrendo-lhe por entre as bolas. Nem gritou quando o golpe certeiro de caco de vidro foi direto ao seu coração. Fogos e gritos e rajadas de fuzil invadiram a cabeça chata de Beto, enquanto milhares de mãos o aplaudiam e o canto coletivo ê ô ê ô Nego Beto é o terror vibrava pelo cubículo, trazendo-lhe alento e completa felicidade, acompanhado por bandeiras de todos os tamanhos, com sua imagem impressa em vários formatos. Todos queriam o seu abraço suado e o seu sorriso banguelo, e davam-lhe amigáveis tapinhas nas costas, uns colocavam em sua boca goles generosos de cachaça enquanto outros entravam e saiam da cena macabra, até que ficou sozinho. Nada mais importava naquele momento. Não havia dor, nem lágrimas, nem remorsos, nem lembranças boas ou más para guardar. Rosa sumira da sua frente, bem como o Meninão. Juntou garrafas num saco plástico e desceu a encosta sem olhar para traz. Na birosca, lá na entrada do morro, o samba já rolava, cavaco e pandeiro convidando para um novo trago, para um novo dia, e sua galera já o aguardavam com os gritos de é campeão ecoando pelos becos escuros. A camisa, mais vermelha do que preta, parecia nada dizer e nem foi notada pelos amigos.

GILBERTO GIL. AQUELE ABRAÇO.

Impossível esconder minha admiração pelo ás da MPB brasileira, Gilbero Gil. Esteve presente em todos os momentos importantes do cenário musical brasileiro. Sua atuação como Ministro da Cultura agradou aos gregos. Quanto aos troianos....... Troianos são troianos e fim de papo.Estive presente em très apresentações inésquecíveis do astro: noite fria do Encontro Cultural de Laranjeiras, Iate Clube de Aracajú e orla da praia de Atalaia no festival de verão.Palmas e loas para e setentão que ainda tem muito a oferecer à arte brasileira de cantar e compor como nimguém. FELIZ ANIVERSÁRIO

ARACAJU, CAMPINA GRANDE OU CARUARU ? ARACAJU, É CLARO

Aracaju, Campina Grande ou Caruaru? Aracaju, é claro. Quando se fala em grandiosas festas juninas no Brasil, de imediato vem à tona o nome de três cidades que se sobressaem sobre todas as outras: Aracaju, Campina Grande e Caruaru, as duas últimas com mais espaço na mídia nacional. Afinal, qual delas faz o melhor São João do Brasil? Como sergipano, puxo sem vacilar e com argumentos, a brasa para a minha sardinha, porém sem deixar de vislumbrar alguns aspectos que necessitam de uma melhor atenção por parte dos organizadores do forrócaju. Em minha opinião, a área do mercado é boa para a realização do evento por está localizada no centro histórico da cidade, o que facilita em termos de locomoção. Todavia, acho que a estrutura poderia ser melhor trabalhada, aumentando o espaço útil para acomodação dos forrozeiros, evitando superlotação e tumultos. O piso também poderia ser melhorado, criando-se uma superfície uniforme, o que traria mais bem estar para os transeuntes. Uma padronização dos bares e barracas criaria um efeito estético bem melhor que o atual. Já estive em Campina Grande em duas oportunidades, e não há muitas diferenças com relação à Aracaju. Vejo o nosso povo mais empolgado e eles mais organizados em alguns detalhes. Lá, a formatação do espaço, com a criação de "ilhas de forró" é um ponto positivo, pois traz a descentralização de brincantes, contribuindo para a maior contratação de artistas locais para participarem da festança. Poderia ser usado aqui. A marinete do forró é exemplo da cópia que deu certo. O forró na orla de Atalaia, sem dúvida alguma, é uma grande sacada e o diferencial aracajuano. O espaço é gostoso e mais atraente que o do mercado. As barracas de artesanato e comidas típicas, a cidade cenográfica, junto com o espaço J. Inácio de arte e cultura dão um clima especial, e a existência de hotéis e restaurante à vontade, proporciona conforto e comodidade a todos. Ainda temos o barco do forró, que acredito ser único na região. Por tudo isso, somos merecedores do título de melhor São João do Brasil. Convido a todos para um debate saudável.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

CONHEÇA NOSSOS ARTISTAS : J. INÁCIO

J. Inácio, artista da alma sergipana Nem sempre a formalidade da crítica é capaz de revelar a arte e seus artistas, quando ... Nem sempre a formalidade da crítica é capaz de revelar a arte e seus artistas, quando eles fogem dos enquadramentos estéticos. J. Inácio, nascido José Inácio de Oliveira, que também se assinou Igo, teve escola e suas obras, embora pareçam anárquicas, são a mais próxima expressão da alma sergipana. Não apenas pelas cores, fortes e repetidas, pelos objetos, tanto os internos da casa, da cozinha, como os externos, bananeiras, jaqueiras, outras fruteiras, que se fundem nas paisagens típicas da terra sergipana. Vivendo muito, 96 anos, J. Inácio teve tempo de mesclar a sua arte, mas preferiu afirmar-se na repetição, deixando para os críticos o problema teórico da interpretação, como ele próprio prometeu, certa feita, ao falar de si mesmo. É certo que seu filho Caã herdou formas e cores, ainda que mantenha-se tímido, sem querer trafegar na esteira do modelo do pai. Outros seguidores, por onde andam com suas telas? J. Inácio não precisou da morte para ser “santificado” entre os sergipanos. Sua vida errante, desapregada dos cânones tradicionais, não justifica, apenas, as três viagens que fez, a pé, do Rio de Janeiro, nem mesmo a convivência turbulenta com seu irmão santo, Padre Pedro. Sem casa, sem rumo diário para o exercício da sobrevivência, simplesmente tocou o cotidiano, sem requerer fortunas, ou mesmo soldos ou salários que pagassem suas magras contas. Vendeu quadros geniais como quem vende bananas, sem qualquer preocupação em diferenciar uma coisa da outra. Não raro foi tido como doido, eufemismo popular de patologias diversas de loucura, mas a tudo resistiu, com uma ponta de ironia, marcante em seu passeio de quase um século pelo mundo. Não há, ainda, um inventário da obra inaciana. Nem da quantidade, tarefa desafiante, nem da qualidade, que vai exigir análise crítica. Há, contudo, alguma coisa escrita em torno da figura do artista, com reprodução de sua arte. TEXTO DE AUTORIA DE LUIZ ANTONIO BARRETO

quinta-feira, 14 de junho de 2012

AMOROSA, ARTISTA SERGIPANA

Conheço Amorosa desde os tempos do Tropeiro. Magrela da gota prá cantar bem,cara e voz de sertaneja sofrendo influencia direta de Elba Ramalho. Depois achou seu caminho. Intérprete perfeita para as músicas de Ismar Barreto. Coco da Capsulana faz sucesso em qualquer lugar do mundo. Dias desses encontrei-a num consultório odontológico, toda chique e com um sotaque muito diferente para quem nasceu em Itabaiana-SE. Carioca misturada com não sei o quê. Uma pena. Mas não deixei de ser seu fã.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

13 de Junho dia de Santo Antonio

Hoje as ruas do centenário Bairro Santo Antonio estarão enfeitadas de bandeirolas coloridas e as fogueiras alumiaram a noite,que ainda na se enamorou do frio do inverno. Centenas de pessoas subiram à colina para acompanharem a missa campal que alí se celebra anumciando o fim da tradicional trezena dedicada ao santo casamenteiro, e de lá sairam em procissão pelas ruas repletas de gente nas calçadas, que acompanham os canticos puxados pelo pároco e beatas.É uma bela festa, sem dúvida alguma uma das maiores de Aracaju.Glorioso Santo Antônio, rogai por nós. "Santo Antônio nasceu em Lisboa em data incerta, entre 1191 e 1195 (aceita-se oficialmente a data de 15 de agosto de 1195), filho de Martim de Bulhões e Maria Teresa Taveira Azevedo, numa casa próxima da Sé de Lisboa, às portas da cidade, no local, assim se pensa, onde posteriormente se ergueu a igreja sob sua invocação. Também a forma de seu nome de batismo é obscura, pode ter sido Fernando Martins ou Fernando de Bulhões.[4][2] Várias biografias escritas no século XV dizem que o pai era descendente do celebrado Godofredo de Bulhões, comandante da I Cruzada, e que a mãe descendia de Froila I, rei de Astúrias, mas embora fossem nobres e ricos, tal ascendência nunca pôde ser comprovada.[5] Fez os primeiros estudos na Igreja de Santa Maria Maior (hoje Sé de Lisboa), sob a direção dos cônegos da Ordem dos Regrantes de Santo Agostinho. Como era a prática da ordem, deve ter recebido instrução no currículo das artes liberais do trivium e do quadrivium, o que certamente plasmou seu caráter intelectual. Ingressando ainda um adolescente como noviço da mesma Ordem, no Mosteiro de São Vicente de Fora, iniciou os estudos para sua formação religiosa. A biblioteca de São Vicente de Fora era afamada pela sua rica coleção de manuscritos sobre as ciências naturais, em especial a medicina, o que pode explicar as constantes referências científicas em seus sermões". FONTE: WIKIPÉDIA

A CHEGANÇA DE ZÉ DO PÃO.

Chegança Dança que representa em sua evolução a luta dos cristãos pelo batismo dos Mouros. A apresentação sempre acontece na porta de igrejas, onde uma embarcação de madeira é montada para o desenvolvimento das jornadas. A predominância é do azul e do branco. O padre, o rei e os Mouros (personagens da Chegança), utilizam outras tonalidades. O pandeiro é o principal instrumento de acompanhamento, eles utilizam também apitos e espadas. Bastante teatral, a apresentação completa da Chegança demora, geralmente, 60 minutos. Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/sergipe/sergipe-5.php#ixzz1xg0D37rI Um dos grandes mestres da Chegança em Sergipe foi Zé do Pão, que morava na Rua Divina Pastora, onde hoje funciona a UNIT.Seu grupo apresentava-se sempre no fundo da Catedral Metropolitana durante o periodo natalino, atraindo o público com sua tradicionalidade e esmero nas vestimentas. Zé do Pão, um legítimo mestre da cultura popular. Deus o tenha na sua glória. Amém

CONHEÇA NOSSOS ARTISTAS: TONHO BAIXINHO

Tonho Baixinho é outro cara de fé, artista sergipano que junto com o finado Irmão marcaram época no cenário artistico de Sergipe. Merece todas as palmas e loas. É famosa a sua parceria com Gil, nos bons tempos da Atalaia Nova, fato reconhecido pelo mega star baiano em apresentação no Festival de Verão 2010, na Prais de Atalaia.

CONHEÇA NOSSOS ARTISTAS: CESINHA E SUA BONECA

ENTRE OS GRANDES ARTISTAS SERGIPANOS,DESTACO CESINHA E SUA BONECA GENOVEVA, QUE SEMPRE ACOMPANHA OS SHOWS DE SERGIVAL. ÚNICO EM SERGIPE NA ARTE DE BAILAR COM BONECAS DE PANO, EXTREMAMENTE CORDIAL E PRESTATIVO, É UMA DAS FIGURAS QUE VALE A PENA CONHECER. PRECISO DE MAIS INFORMAÇOES SOBRE O BRINCANTE PARA PUBLICAR NESTE BOLG.PEÇO A COLABORAÇÃO DE TODOS OS AMANTES DA CULTURA SERGIPANA. BREVEMENTE NESTE BLOG MOSTRAREMOS FOTO INÉDITA DE CESINHA DANÇANDO COM UMA BONECA DE CARNE E OSSO CHAMADA PALOMA.

O BRAVO SARGENTO ZACARIAS

Luiz Eduardo Costa 08/01/2012 14:07:31 O BRAVO SARGENTO ZACARIAS Silenciosamente, sem honras militares, com a presença da família, dos amigos e de um oficial do exército brasileiro foi sepultado em Aracaju um herói de guerra. Era Zacarias Isidoro Cardoso, o Sargento Zacarias. Os mais jovens nem sabem quem ele foi. Lamentavelmente, os jovens nem andam sabendo se um dia o Brasil foi à guerra, combateu distante, do outro lado do Atlântico, na Itália, entre as escarpas geladas dos Apeninos e as planuras do Vale do Pó. Continuamos assim mesmo, esquecidos da nossa História, descuidados com os nossos heróis. Talvez, por isso, andemos frequentemente carentes de autoestima. Somos agora a sexta potência econômica do mundo, mas parecemos acanhados, porque estamos longe, ainda, do grau de civilização alcançada por países do chamado primeiro mundo. Nos Estados Unidos, a grande potência ainda hegemônica, começa agora a corrida eleitoral pela presidência, e no páreo, os republicanos colocam pré-candidatos que fazem entre si uma competição obscurantista. Parecem uns trogloditas. Acreditam piamente que aos Estados Unidos Deus atribuiu a missão de policiar o mundo; negam evidências científicas, como a teoria da evolução, consideram ímpios os que não interpretam o criacionismo ao pé da letra, dando seis dias para que Deus construísse o mundo, descansasse no sétimo, (como se Deus fosse humanamente sujeito a fadigas) depois, colocasse Adão e Eva castamente no paraíso, para cederem diante das tentações da serpente que os fez comer a maçã. Em Paris, onde inventaram o réveillon, a passagem do ano foi marcada, como sempre, por muita violência. Na avenida dos Champ Elysées, fortemente policiada, não se impediu a ação dos punguistas, das gangs violentas. Não houve show pirotécnico, mas centenas de fogueiras foram acesas nos bairros da periferia. Eram automóveis incendiados. Aqui, fizemos o melhor réveillon do mundo, dois milhões de pessoas nas areias de Copacabana, e quase nenhuma violência. Mas eles são os civilizados. Nós somos tupiniquins. O que nos falta então? A resposta parece simples, e sem nenhuma contaminação desse enchimento de saco chamado autoajuda: precisamos, como povo, acreditar em nós mesmos. Para que essa crença se consolide, teremos, também, de nos conhecer melhor. A História de um povo é sempre um bom fio condutor para o futuro. Valorizando a autocrítica, afastando qualquer sentimento de superioridade, fortalecendo a solidariedade com o mundo, o autoconhecimento é parte indispensável de qualquer processo civilizatório. Morreu o Sargento Zacarias, herói sergipano, maruinense, detentor de medalhas de combate, uma delas, honraria única, jamais concedida. Relembremos o que ele fez, relembremos do seu tempo. Em agosto de 42, o mundo já estava há quase três anos mergulhado numa guerra que se estendia do norte gelado da Noruega, passando pelas estepes russas, chegando às areias dos desertos africanos, às ilhas do Pacífico e a todos os mares. O Brasil, onde uma elite fascista admirava Hitler e Mussolini, recebera um ultimato do presidente Roosevelt: bases para os americanos, ou seria ocupado o nordeste, posição estratégica para a invasão da África e domínio do Atlântico Sul. Getúlio foi hábil, obteve financiamentos, uma siderúrgica, Volta Redonda, armas, e cedeu. Os submarinos alemães e italianos espalhavam-se em matilhas pelo Atlântico. Naquele mês, cinco navios foram torpedeados e afundados entre o sul sergipano e o norte da Bahia. Centenas de cadáveres e alguns sobreviventes vieram dar às nossas praias, da Atalaia ao Saco. Aracaju era uma cidade com pouco mais de 50 mil habitantes, quase isolada do resto do país. Para chegar até a Atalaia era preciso vencer muitos obstáculos. Não havia estradas para as praias das Caueiras, do Abaís, do Saco. Havia apenas umas poucas dezenas de veículos. Contava Walter Baptista, piloto do Aeroclube de Aracaju, que comandou as operações aéreas de reconhecimento e resgate, que o pânico tomou conta da cidade, alarmada com a possibilidade de um desembarque ou um bombardeio alemão. Murillo Mellins, nosso memorialista maior, conta: Ele tinha 15 anos e participou das correrias e quebra-quebras em busca de alemães e italianos, e das suas propriedades. No grupo de meninos, havia um com 17 anos, era Zacarias. Ele não queria vingar-se dos gringos aqui, queria combatê-los na Europa. Foi uma luta para conseguir alistar-se no Exército, e só em 44 partiu para a Itália. Lá, antes do combate verdadeiro, houve outro, travado nos estados-maiores do 5º exército americano e da nossa Divisão de Infantaria. Era preciso convencer ao comando americano que a tropa da FEB estava apta para a luta, mesmo com equipamentos deficientes, os mal nutridos de um país para eles ainda selvagem, tinham condições para combater. O Brasil era o único país, além dos contendores europeus, asiáticos, dos Estados Unidos e das colônias anglo-francesas, que tinha tropas na Europa. Foi raça, superação e persistência, que tornaram confiáveis nossos soldados. Ousadias como as de um soldado Zacarias, mostraram aos gringos desconfiados, que os desacreditados brasileiros eram combatentes tão bons, em alguns casos, até melhores do que eles. Vamos contar nas nossas escolas a vida do Sargento Zacarias, mostrá-la no Museu da Gente Sergipana, dar o seu nome a uma grande avenida. Por que não aquela que o governo do estado constrói, ligando Socorro à rodovia BR-101? Ou aquela outra, em Aracaju, que a prefeitura está fazendo, o acesso à ponte sobre o rio Poxim. Enfim, uma AVENIDA SARGENTO ZACARIAS.

AS RAÍZES DO ILÊ AXÉ ALAKETU OYÁ BALÉ CABOCLO GONGOMBIRA

AS RAÍZES DO ILÊ AXÉ ALAKETU OYÁ BALÉ CABOCLO GONGOMBIRA TEXTO DO MUSEÓLOGO SERGIPANO CLAUDIO DE JESUS SANTOS, FORMADO NA UFS. O sangue e a Ancestralidade Não há como negar Não há como recuar Não há como recusar Nos eleva e identifica Severo D’Acelino. 2002 É pelo respeito e importância dada aos seus ancestrais que os povos africanos e afro-brasileiros cultuaram e cultuam seus Orixás, Voduns e Inquices mantendo forte suas tradições ao longo do tempo. É também dessa forma que o Ilê Asé Alaketu Oyá Balé Caboclo Gongombira considera de grande importância fazer um “exercício de memória” relembrando e buscando sempre as suas raízes. Fundado em 15 de janeiro de 1989, o Ilê Asé Alaketu Oyá Balé, encontra-se situado na zona sul de Aracaju, no Loteamento Marivam, Bairro Santa Maria, nº 210. O Terreiro que está sob os cuidados da Iyalorixá Maria Claudeildes Santos de Santana, filha de Oyá Balé tendo como urukó Megelecy, cultua seus Orixás e Voduns (1) nas nações de Ketu (2) e Jeje, cultuando também os caboclos e exus na nação Angola, preservando assim o patrimônio religioso e cultural dos seus antepassados. Dessa forma é preciso salientar que as suas raízes estão diretamente ligadas a uma das casas de Ketu mais tradicionais do Estado de Sergipe, o Abagsá Ogun Marinho, situado no Bairro Santos Dumont, Rua Jaime Paulo, nº97, também em Aracaju, pertencente a Iyalorixá octogenária Josefa Maria dos Santos, sua Mãe de Santo e consanguínea. Conhecida popularmente como Mãe Nair, a história da Iyalorixá Josefa Maria se entrelaça com a história de alguns nomes importantes que contribuíram para a formação da memória do candomblé sergipano. Filha de santo e neta sanguínea da Iyalorixá Elisa Martins dos Santos, conhecida como Eliza D’Ayará, Mãe Nair foi iniciada com o Orixá Ogum tendo como urukó (3) “Lua-Omim”. Já Elisa D’Ayrá, por sua vez, foi iniciada com o Orixá Xangô e de urukó Babá-Omim, fazendo parte da primeira geração de iniciados no “candomblé de feitorio” do Estado de Sergipe, na Nação de Ketu, introduzido pelo Babalorixá baiano Manuel do Amaral, conhecido popularmente como Manezinho Sandayó, nos anos de 1920. Entre os primeiros iniciados, segundo Mãe Nair (4), estavam Ercília Lima, a primeira raspada (5) em Sergipe, com o Orixá Oxum, Elisa Martins (sua avó) com Xangô, Odete com Odé, Carmelita com Xangô Aganjú, Otávio com Oxosse, José Adolfo com Iemanjá, Eleonora com Oxalá Talabi, Jorge Paim com Oxum, Kaciano com Obaluayê, Malaquias com Xangô, Washington e o Ogã (6) Bomfim com Oxalá. Foi seguindo os conhecimentos tradicionais ensinados por Manezinho Sandayó que a Iyalorixá Elisa D’Ayrá abriu o “Terreiro São Pedro”, situado no alto da Suissa Braba em Aracaju, e iniciou seus poucos filhos-de-santo, entre eles Nair de Ogun (sua neta), Carmelita de Obaluayê, Núbia da Oxum e Carminha da Oyá. Anos mais tarde Elisa D’Ayrá viajou para a Ilha da Conceição, em Niterói, Estado do Rio de Janeiro, região em que plantou seu Axé e após seu falecimento deixou sob os cuidados de Benício de Xangô e de Bebé sua esposa, o qual veio a ser fechado após o falecimento dos mesmos. Na atualidade, mesmo com o falecimento da Iyalorixá Elisa de D’Ayrá, o Orixá Xangô Babá-Omim permanece na família, ficando como “Deixa” (7) de Mãe Nair, sendo cultuado no Ilé Asé Oyá Balé Caboclo Gongombira, o qual mantém sua tradição. “Kawó-kabiyèsíle!” 3.PENSANDO NO UNIVERSO DO AXÉ: O MUSEU, O TERREIRO E A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO AFRO-BRASILEIRO Refletir sobre o patrimônio cultural afro-brasileiro no universo do axé, “força movimentadora da vida” (D’ACELINO, 2008) é uma tarefa instigante e ao mesmo tempo surpreendente quando correlacionamos dois, dos principais espaços, responsáveis pela sua preservação e valorização: o museu e o terreiro. Ao lançarmos o nosso olhar pelas lentes da cultura afro-brasileira poderíamos afirmar que além do Terreiro, o Museu também possui esse axé, que pode ser percebido quando enxergamos o museu como um fenômeno, o qual: “Pode existir em qualquer espaço, em qualquer tempo. Inexiste, portanto, uma forma ‘ideal’ de Museu, que possa ser utilizada em diferentes realidades: o Museu toma a forma possível em cada sociedade, sob a influência dos seus valores e representações” (SCHEINER, 2001, p.06). Fazendo uma correlação do museu com o terreiro, podemos dizer que é o axé grande responsável por dar “alma as coisas” e trazer para seus objetos o Ori, manifestando sua individualidade e identidade que caracteriza cada bem patrimonial. O museu também é o responsável pelo Okan, “órgão que centraliza o poder de vida e sede da inteligência, do pensamento e da ação” podendo este ser entendido como a memória. E para guardar o conjunto desse patrimônio, temos as Iyabás, dentre elas, Nanã, Iemanjá, Iansã e Oxum, as quis nos lembram as musas. Diante dessa breve relação simbólica entre o museu e universo cultural afro-brasileiro faz-se necessário ressaltar a importância do Ilê para a preservação e valorização dos bens culturais e patrimoniais produzidos pelos afro-descendentes no Brasil. Assim como o museu, os terreiros também selecionam, guardam e expõem “coisas” com a intenção de evocar lembranças e tencionar a reconstrução de uma determinada época, seja no culto aos seus ancestrais ou até mesmo nas relações hierárquicas que são estabelecidas entre seus membros, com a intenção de manter uma tradição. Dessa forma o terreiro se assemelha ao museu, construindo “teias de significados” (GERRETZ, 1978) através do seu patrimônio material e humano, presentes no seu dia-a-dia, num processo constante de construção e reafirmação de sua identidade. E, em se tratando do patrimônio humano, talvez, seja esse o grande diferencial entre ambos ao se trabalhar a sua preservação. Pois como destaca Bruno Brulon “Ao se tombar um terreiro de candomblé, o que se deseja preservar em primeiro lugar é a comunidade que nele vive, se transforma e se manifesta culturalmente pela religião” (2008, p.135), o que nem sempre acontece com os museus, uma vez que muitos sacralizam suas em vitrines, afastando-os de seus grupos produtores. Essa relevância poderá ser percebida também nos critérios que levamos em consideração ao pensar a musealização do Ilê Axé de Alaketu Oyá Balé Caboclo Gongombira, uma vez que a intenção se faz em justamente ressaltar a importância do Terreiro para a comunidade local em que está inserido, com a finalidade de criar mecanismos que tragam a interação, dos que transitam neste espaço, com o patrimônio que ali se encontra contribuindo para o processo de valorização da cultura afro-brasileira em Sergipe.

O CRISTO DE SÃO CRISTOVÃO

Da rodovia João Bebe água já é possível avistá-lo. Seus dois braços não estão completamente abertos, mas demonstram uma ternura de quem chama para um abraço. Esse é o Cristo Redentor de Sergipe, localizado no município histórico de São Cristóvão. Construído na pequena Colina de São Gonçalo, o monumento é mais antigo do que seu primo carioca. Segundo levantamentos do historiador Thiago Fragata¹, os trabalhos para a edificação do Cristo Carioca começaram no mesmo ano em que a estátua foi inaugurada em Sergipe, 1926. “Sergipe tem a primeira estátua de Cristo Redentor do Brasil, fato ignorado por muitos sergipanos. O dado foi evidenciado no levantamento empreendido pelos pesquisadores de Belas Artes de São Paulo, em 1984, que após identificar a existência de 1200 redentores brasileiros destacaram o exemplar sergipano como o mais antigo e original, pois ele diverge da matriz carioca”. Visual Apesar do local apresentar fortes sinais de abandono, a vista vale a pena. De lá é possível, além da estátua, apreciar uma bela paisagem panorâmica da cidade. Um olhar atento alcança as estruturas da Igreja Nossa Senhora das Vitórias; as paredes do Fórum Gilson Gois Soares e, do lado esquerdo, ainda é possível ver bem longe as águas do Rio Vaza-Barris que cortam o município. Um belo quadro para ser contemplado. Nas palavras de uma visitante e moradora de São Cirstóvão que, por motivos de timidez, quis permanecer anônima: “O local vale a pena pela vista e pela tranqüilidade, parece que aqui tem uma barreira e quando a gente vem nesse lugar todo o estresse fica para trás”. A estátua com braços semi abertos possui somando a sua base 16 metros de altura. Foi construída no Governo de Graccho Cardoso e reformada em 1972 no governo de Paulo Correia dos Santos. A cidade de São Cristóvão, localizada a 25 km de Aracaju, foi fundada em 1590 e é considerada a quarta cidade mais antiga do país. Foi a primeira capital do estado de Sergipe. ___fonte: www.overmundo.com.br

segunda-feira, 11 de junho de 2012

QUADRILHAS JUNINAS: TRADIÇÃO E MODERNIDADE.

Quadrilhas juninas: tradição e modernidade. Como todo bem sergipano, também participei de quadrilhas juninas, praxe em todas as escolas e bairros durante todo o mês de Junho, de onde brotaram amizades e amores verdadeiros, momentos inesquecíveis que permanecem acessos, tal qual fogueira, no inconsciente coletivo da nossa gente. O São João de Sergipe é grandioso e inigualável, simplesmente uma delícia, repleto das mais distintas e legítimas manifestações, produzidas e legitimadas pelo povo, que mesclam folguedos populares e gastronomia típicos, com pratos à base de milho, amendoim à moda da casa, desfile de carroças, quentão, espadas, busca-pés e forró pé de serra, o legítimo som da alma sertaneja, imortalizado por Luiz Gonzaga. É uma virose que contamina a todos, nos quatro cantos do estado, seja nas grandes cidades ou nos pequenos povoados. As quadrilhas juninas são a apoteose dessa festança, e sua origem se perde no tempo, sendo o casamento do matuto, o motivo para a realização do evento, carregado de símbolos do quotidiano do tabaréu da roça, representados nos brincantes travestidos de padre, delegado, fazendeiro, vaqueiro, cangaceiro, beatas, moçoilas pudicas e varões em busca de xodó. E foi assim durante muito tempo. Mas, como disse o poeta, o novo sempre vem, e ele chegou na forma de grupos organizados, ligados a associações, glamourizados, com vestimentas luxuosas, um belo espetáculo estético e artístico, que se adequou aos padrões televisivos de alta definição, onde a profusão de brilhos e cores é fundamental. É um desempenho digno de calorosos e merecidos aplausos, o reconhecimento público de verdadeiros artistas anônimos, personagens de uma primorosa ópera popular. Como ressalva, discordo veementemente da adoção de enredos para as quadrilhas, como vem sendo usado no concurso da TV Globo, imposição de um regulamento mais conveniente a escolas de samba. O universo cultural nordestino é amplo e ilimitado como bem sabemos. A obra de Gonzaga, Patativa do Assaré, Ariano Suassuna entre outros é referencia nesse assunto, portanto a inserção de “temas” é uma interferência desnecessária e injustificada. As manifestações culturais são seculares e possuidoras de um contexto característico e ímpar, presentes nos caboclinhos e lambe-sujos, taieiras, bois-bumbás, cheganças, reisados etc. O foco das quadrilhas juninas deveria ser sempre o casório do tabaréu e suas variações, uma convivência entre modernidade e tradição, imperando sempre o bom senso, a originalidade, e raízes preservadas. É assim que penso.

domingo, 10 de junho de 2012

POÇO REDONDO: TERRA DE CANGACEIROS

A história de Poço Redondo mudou totalmente na época do cangaço. Antes um lugar tranqüilo, transformou-se praticamente em um campo de batalha. A história conta que 34 filhos de Poço Redondo acompanharam o bando de Lampião e foi na gruta de Angico, que hoje pertence ao município, que em 1938 Lampião e Maria Bonita, junto com outros nove cangaceiros, foram mortos por uma volante alagoana. De acordo com Alcino Alves, dois acontecimentos do cangaço marcaram profundamente a vida dos habitantes de Poço Redondo. “Nenhum lugar, na vastidão dos campos sertanejos, viveu agonia tão grande e provações tão gigantescas como o pequenino núcleo das brenhas do Riacho Jacaré”. Por duas vezes, toda a população do povoado abandonou suas casas com medo da violência dos cangaceiros e da volante. Esses acontecimentos ficaram conhecidos como ‘As Carreiras’. “Aquela vidinha sem novidades e aborrecimentos tinha se acabado. Todas as desgraças e horrores começaram a aparecer, atingindo cruelmente as famílias e habitantes daquele abandonado pedaço de Sergipe”. O primeiro assassinato em Poço Redondo aconteceu em 1932. Santo da Mandassaia foi morto cruelmente por Corisco. A população não entendia por que tiraram a vida de um homem tão pacífico. Assustados, todos os moradores do povoado deixaram suas casas e foram morar em Curralinho, um povoado à beira do Rio São Francisco. Em Poço Redondo não ficou um só morador. Os militares decidiram que a povoação abandonada seria um ponto estratégico para o combate ao cangaço, porque de lá poderiam chegar com mais facilidade a pontos escondidos da região. Dez soldados, comandados pelo sargento Alfredo, se estabeleceram no local e, sabendo disso, a população que havia se mudado para Curralinho volta para suas casas. Apesar da presença dos militares, os moradores de Poço Redondo continuaram morrendo. Em 1937, revoltados porque os soldados mataram o cangaceiro Pau Ferro, os bandidos assassinam os soldados Tonho Vicente e Sisi. Segundo conta o livro de Alcino Alves, os cangaceiros mandaram um recado garantindo que iriam invadir a vila de Poço Redondo. “O pavor tomou conta de todos. A tropa que guarnece no lugarzinho se acovarda. Sem que ninguém esperasse, os militares que trabalhavam no povoado tinham que se apresentar imediatamente no quartel de Propriá. Apavorados pela falta de segurança, os moradores se reuniram e decidiram deixar novamente o povoado, voltando para Curralinho. Talvez um caso único na história do cangaço e na vida da gente sertaneja”. Em 1938 choveu muito na região. “Aquela vidinha às margens do Velho Chico estava por demais enfadonha e maçante. Eles precisavam plantar, porém as roças ficavam nos arredores de Poço Redondo. Alguns decidiram se arriscar. Em junho desse mesmo ano, perto do Curralinho, no riacho do Angico, o incrível Lampião caiu, vencido pelas balas da volante do tenente João Bezerra da Silva. O cangaço morreu. O povo sofrido e desterrado de Poço Redondo não tinha mais o que temer. As famílias podiam retornar e reconstruir o arruinado povoado que tanto amavam”. FONTE: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=606921